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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

MUDANÇA

Quando comecei a escrever o blog, aos 50 anos de idade, a ideia era registrar minha historia,só para mim, porque sabemos todos que a memoria não dura para sempre, e a minha já não é das melhores...
Falar sobre os primeiros anos, primeiras memorias, a maioria vivida em Tabatinga, foi fácil, as historias, as lembranças fluiram  facilmente. Mesmo as mais dificieis estavam guardadas com ternura.
Agora falar da fase que passei a morar em Ibitinga, dos 15 aos 18 anos, é dificil, tenho que fazer um esforço para buscar as boas lembranças.
Por onde elas andam? Onde as guardei?
Mas, talvez tentar escreve-las, seja um exercicio para reavaliar tudo.
Não tenho saudades desse tempo, nem da cidade.
De algumas pessoas sim.
Acho pouco para um periodo tão importante.
E vamos as boas lembranças...
Em Ibitinga as boas lembranças, começam com as ferias que passava por aqui, quando ainda morava em Tabatinga
Eu só conhecia essas duas cidades, e Ibitinga com seus 40.000 habitantes,era no minimo tres vezes maior que Tabatinga
Tinha um jornal, estação radio, tres colegios, cinema lindo, shows de artistas de tv, tinha o conjunto musical Pedras Romanticas, tinha pessoas descoladas.
E tinha a casa de meus avós.
Os vizinhos,que eu adorava...
As reuniões na calçadas,conversa jogada fora.
A Lila e a Efigenia.
Minha tia Cleide,antes da industria da moda,era uma das grandes costureiras da cidade,então era um entra e sai de mulheres elegantes, revistas de moda, um ambiente muito legal para uma criança/adolescente,querendo ver tudo, saber de tudo, olhando as revistas e querendo ter sapatos de salto que combinassem com os vestidos...
E graças a Tia Cleide, eu sempre voltava para Tabatinga com vestidos novos, originais, garantia meus 5 minutos de gloria infantil!
A turma da Tia Lucia frequentava o clube CRI, grandes bailes e eu adorava ficar assistindo a produção:maquiagem, bijouterias(novidade/novidade)
Os penteados...tudo era novo,muito bonito e muito bom
Com a Tia Vera (só 4 anos mais nova) dava ate para fazer programas juntas
Cinema, sessão das 6 da tarde, papo com garotos, risadas.
A volta para Tabatinga, sempre rendia uns dias de saudades.
Mas passava logo. Tabatinga era meu lugar. Passargada.
Mas quando eu tinha 15 anos,meus pais se mudaram para Ibitinga.
E eu não tive escolha.
Lembro me de 1970 cantarolar o sucesso da época: "I dont want stay hear,I wanna to go back to Tabatinga"(no ritmo de Quero voltar pra Bahia) e depois  no ritmo da musica do Roberto, Cachoeiro:
 "Tabatinga, Tabatinga, vim aqui para Ibitinga pra voltar e não voltei"





sábado, 21 de dezembro de 2013

ENCONTRO E DESPEDIDA


 Em maio de 2012 recebi um convite para adicionar Atais Moreira no meu facebook.
Sabia muito bem quem era, mas não acreditava..
Atais, Efigenia,(seu segundo nome, mas era assim que todos a chamavam) foi uma amiga e colega de trabalho durante anos, na TRAMPS e não nos falavamos ha uns 20 anos.
Foi uma surpresa boa, nos falamos in box e prometemos contatos. Deixei mais alguns recados, mas as noticias sumiram..
Dia 15/12/2013 o facebook avisou seu aniversario.
Entrei para deixar meus cumprmentos,e vi um post de sua filha falando de seu falecimento, pouco tempo depois de nosso "reencontro".
Fiquei chocada.
A ideia de reencontrar edepois perder...Muito estranho..muito triste
Fiquei pensando em nossa convivencia, lembrando do seu jeito,e resolvi deixar aqui registrado para aqueles que tiveram a oportunidade de conhece-la e para que sua filha saiba alguma coisa a mais da mãe especial que teve.
A Efigenia era a encarregada dos assuntos admistrativos da empresa.
Seu jeito timido, serio,responsavel fazia com que ela parecesse ter mais que os vinte e poucos anos.
As pessoas a respeitavam de forma natural, sem que fosse necessario que ela impusesse autoridade.
Honesta, correta, justa.
Mas tinhamos nossas conversas engraçadas.
Ela gostava de ouvir minhas historias, davamos muita risada.
Discreta, sabia guardar segredos e eu lhe confiei alguns
Nossa convivencia limitava se ao ambientede trabalho, mas era muito bom.
Conheci seu namorado, Rafael,que depois virou marido e pai de seus filhos.
Ele era muito gentil e atencioso com ela.
Feitos um para o outro .Mesmo.
Entre as lembranças, a historia de um namoro que começou porque nos duas bancamos o cupido:
Trabalhava por la, a Marilia,  auxiliar de escritorio, muito bonitnha, timida.
E toda semana, o contador passava pelo escritorio para recolher documentação.
Eu e a Efigenia começamos a brincar com a Marilia, dizendo que no dia do contador chegar ela se arrumava, que ela estava esperando por ele, inventamos historias...
Marilia ficava ate vermelha.
Começamos a brincar com ele tambem.Resultado: se casaram. A brincadeira virou verdade.
Ao lado de nosso trabalho, tinha a primeira loja da Cleuza Presentes.
Coisas lindas,de bom gosto.
Um dia fomos juntas até la, xeretamos as novidades e vi uma pá de  pegar sorvete, pratica e bonita
E claro, muito cara tambem.
Adorei, mas quando vi o preço desisti.
Ela voltou , comprou e me deu de presente de casamento.
Tenho ate hoje, uso bastante e toda  vez que a uso  lembro me dela
Ela casou, saiu do trabalho, eu sai da empresa, mudei me para Bragança Paulista e não nos vimos mais.
Um dia encontrei me com ela no Bom Retiro, ela sempre morou lá, me deu seu endereço e fui duas vezes visita-la
Numa das vezes minha irmã Liliana foi comigo
Batemos papo, nos inteiramos da vida de cada uma, e nunca mais nos vimos.
Não me lembro como e nem porque perdemos o contato.
Mas durante uns 5 anos ela fez parte de minha vida diariamente.
Dividimos historias,sonhos, planos.
Fica a sensação de que tinhamos que ter nos reencontrado e atualizado nossas vidas.
Sinto me muito lisongeada quando penso que ela me procurou no facebook.
Penso:ela sentiu saudades,queria saber de mim.
Vejo que tinhamos uma pela outra um sentimento sincero de carinho e amizade que o tempo e a distancia
não destruiram.
Fica faltando tudo o que eu queria dizer, queria saber e não tive como.
Fica sobrando tristeza e saudade.


sábado, 26 de outubro de 2013

FAMILIA

È uma pena que só depois dos cinquenta começamos a definir o que realmente tem importancia na vida.
A dar o real valor de cada coisa.
Quando somos jovens,no auge da energia, achamos que sabemos tudo e que no fundo não precisamos de ninguem.
E queremos muitas "coisas". Nem todas muito importantes.
Quando começamos a descobrir que na realidade viver é muito simples e muito bom,quando começamos a dar valor aos poucos e verdadeiros amigos e especialmente a familia, ás vezes, acontece de termos perdido alguns  muito importantes para nos
Eu tenho como caracteristica desde sempre  valorizar amigos.
Nem sempre acertei. Quebrei a cara muitas vezes.
Mas esses que ficaram, que agora aos 57 anos, sei amigos, são poucos e valem muito a pena.
E quando digo que desde sempre valorizo-os, é porque escancaro isso, deixo-os saber o quanto valem.
Faço questão disso.
E mais ainda quando se trata de familia.
E isso aprendi com minha mãe.
Aquela coisa: antes eu não via isso direito.
Parecia que era normal, banal.  Não é, com certeza.
Começa na familia dela, que só agora notei exatamente como são, como se tratam, como se querem.
Dez irmãos no total, sendo 4 homens e seis mulheres, sendo tres já falecidas.
Eles nunca se perderam de vista.
Nunca brigaram, nunca discutiram..
Porque embora em muitas vezes tenham condutas e opiniões diferentes, acima de tudo se respeitam, e lidam bem com as diferenças.
Gente simples,de sabedoria simplória,mas que tratam os laços de irmandades com muita, muita atenção.
Devoção quase.
Os que moram longe, se visitam, se falam.
Os que são da mesma cidade então..
Uma vez por semana se encontram, trocam noticias um do outro
Trocam preocupações, companhia, gentileza.
A mais velha hoje tem 84 anos, o mais novo quase 70.
E  foi uma vida inteira assim.
E isso minha mãe passou para os filhos.
Sem didatismo, ensinou com naturalidade.
Ou do melhor jeito:com exemplo.
Primeiro:ela nos ensinou sempre a respeitar meu pai.
Tivesse a crise que fosse no casamento, ela nunca deixou que as queixas dela, se transformassem em queixas nossas.
AS vezes, reclamava dele, e se encontrasse eco em um dos filhos, logo "corrigia: mas ele é otimo pai, e adora os filhos". Ponto.
E entre os seus filhos, ela nos fez amigos e irmãos.
Somos em 4. Neto, o mais velho tem 59 anos, depois eu, com os ja declarados 57, Liliana 55 e Ze Luiz caçulinha com seus 50
Todos com carinha de 30.
Somos diferentes, mas tambem nos respeitamos muito, não julgamos.
Somos parceiros. Nos ajudamos no que podemos.
Pode ser com dinheiro,quando dá, pode ser com palavras, com ouvidos,com colo.E quando não dá para
fazer nada mesmo, pode ser até levando uma roupinha para benzer.
Nunca brigamos de ficar de mal. Já discutimos,claro, e pronto,passa.
E tudo muito natural.
E hoje morando cada um numa cidade, ela continua perguntando diariamente a todos nós: "seu irmão ligou?"
"Falou com o Neto hoje?"
"Noticias da Liliana, e do Zè Luiz?"
Os respectivos companheiros que se acostumem com isso...
Decio, o meu, as vezes até se enche um pouco, mas na maioria das vezes acha graça,e brinca com ela: "alguem ligou?" Alguem é um dos filhos.
Mas é muito bom.
No fim, o que sabemos, é que de verdade, nenhum de nós nunca está sozinho.
A gente tem sempre um ao outro para contar.
Uma boa descoberta. Ainda bem, que a tempo, quando tenho todos eles aqui comigo.



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

HAPPY

São pequenos detalhes,as vezes tão sem importancia que acabam por fazer a nossa história...
E na TRANSPORT,ainda Ultimodas, ainda no endereço da Rua Newton Prado, fui aprendendo muito,descobrindo coisas,conhecendo pessoas...
Eu tinha passado os  20 anos da minha vida, vivendo no interior de SP em duas cidades:Tabatinga e Ibitinga.
Eu tinha passado esses quase 20 anos convivendo com as mesmas pessoas, nos mesmos lugares.
Comecei a ver gente nova todos os dias, histórias, lugares.
E tive sorte de encontrar um ambiente propicio para quem,como eu, queria muito aprender.
Todos ali, tinham as mesmas oportunidades..
Em 1976 tinha o bale de formatura do colegial da minha irmã em Ibitinga.
Eu queria arrasar e a verba $$ era escassa...
Ideias...
Queria brilhar,mas tudo que tinha brilho era muito caro.
Comprei um tubo de lurex,que era importado,rarissimo e pedi para o Jorge fazer um tecido para mim, que eu mandaria fazer o vestido
Ele me disse que só com lurex ele não conseguiria tecer na sua maquina. Propos misturar com um pouco de fio branco.
Assim foi feito. Ficou lindo
Era assim: gentileza feito na sua hora de almoço.
Foi inesquecivel. Tudo.
O vestido, a atenção e gentileza do Jorge, o baile, as descobertas.