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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

BELEZA INTERIOR

Desde sempre fui  fascinada pela beleza humana.
Sempre observei e admirei, a beleza, homem ou mulher, que tivessem nascidos bonitos.
Muito antes de cirurgias plásticas, implantes de silicone, de cabelo, de dentes, lentes de contato de toda e qualquer cor. A beleza que a natureza deu. A beleza com que se nasce.
Desde sempre, aquelas crianças que já nasceram lindas, e vão melhorando, as que não nasceram tão belas assim, mas vão ficando. Eu sempre observando encantada.Nunca senti inveja. Sentia a mais sincera e profunda admiração.Tanto que sempre, tive o despreendimento de elogiar, cheia de verdade.
Na minha infância, em Tabatinga, uma cidade muito pequena, um universo muito restrito, a primeira pessoa, cuja beleza natural chamou-me a atenção foi a Célia Giansante.
Ela era, bonita. Simpática, boa aluna. Os olhos verdes, cabelo castanhos claros, sorriso de dentes pequenos e brancos,e era alta!.Porte de Miss.!! Parecia a Priscila Fantin
Enquanto não ficamos a amigas, não sosseguei, e acabamos por ser muito amigas durante todo o primário 
Ainda em Tabatinga, já entrando na adolescência, eu estava com 14 anos, chegou a pequena Tabatinga, vinda de uma cidade maior, Araraquara, Márcia Factore.
Ela não tinha a beleza perfeita, mas tinha uma beleza com personalidade. Alta, pernas musculosas, porque adorava praticar esportes, sempre bronzeada, cabelos castanhos, quase dourados, imensos olhos azuis, mas nada daquele azul desbotado. Olhos grandes  azul cor de mar mesmo, quase verdes.Os dentes eram sutilmente para frente, e ela tinha uma cara assim ,meio Angelina Jolie.
Numa cidade pequena, quando vem alguém de fora, você quer se enturmar, e eu no meu fascínio pela beleza, logo quis ficar sua amiga. Assim aconteceu.
E aí eu pensei: “ela tão linda, combina com o rapaz que acho o mais bonito da cidade. José Negrini.
Ela tinha 14 anos, ele já devia ter uns19, nessa fase a diferença de idade é significativa. E alem disso, ela namorava “firme” outra moça bonita, de sua idade, a Eunice Chechi. Mas falei dele para ela, criei expectativas.
Falei dela para ele, iguais expectativas. Resultados: Menos de um mês, ele terminou o namoro firme  com a namorada mais velha, e  começou o namoro com a Márcia que eu apresentei.
Poucas pessoas ficaram sabendo que eu fui o Cupido dessa história. E Eles namoram alguns bons anos.
Ele também era um ícone de beleza para mim, naquele universo.
Alto, todo sarado, esportista, fechava os olhos quando sorria, a CARA do Richard Gere.
Quando vim para Ibitinga, aos 15 anos, a beleza da cidade era a Miss Ibitinga, que teve boa classificação num concurso de miss estadual e era linda mesma. Vera de Jorge.
Alta, magra, olhos claros, elegante, boca e sorriso largos.Nunca tive contato com ela, alem dessa admiração de vê-la ao longe, cada vez mais bonita.
Seu irmão Otavio de Jorge tinha uma beleza de cinema.
Em São Paulo, você encontra pessoas lindas, perfeitas,em todo lugar.Aprendi a ver a beleza mesmo nas pessoas mais simples, e não estou falando de beleza interior.
Hoje refiro me a beleza estética.
Conheci modelos, manequins belíssimos.O mito da beleza foi ocupando menor importância na minha vida, outros valores sendo reconhecidos.
Mas, vamos assumir: Nascer bonito, mas bonito mesmo, Lindo, ajuda hemmm!!!
Ah! Eu trocaria a inteligência que eu tenho, nada de superdotada, dessas bem padrão, a sensibilidade acima da média, cultura e conhecimentos básicos, nada tão profundo assim, mas trocaria tudo, se tivesse a oportunidade de escolher entre ser burrinha ou bonita.
Queria ser uma ANTA, mas queria ser linda!.Trabalhando na área de moda, confesso que muitas vezes a beleza foi fator  decisivo para contratação de um funcionário.
Não sabia o serviço, o outro era mais competente? Não tem problema, eu ensino.
Era meio burro, tinha dificuldade em aprender? Não faz mal, Fulana cobre essa parte, ela sorri, desfila e vende. E ainda ganha mais.Essa é a verdade da vida. E isso foi tomando uma dimensão cada vez maior.
Eu fui a típica criança sem graça nenhuma. Nem feia, nem linda de morrer
Era dessas onde tudo era mais ou memos.Nada de destaque. Cabelos castanhos comuns, cacheados quando a moda era liso e não existia chapinha, nem escova progressiva…Olhos do mais comum castanho, nada de íris cor de mel…
E aos 18 anos, graus de miopia…Nada de cílios longos, espessos.
Queria acordar, balançar os cabelos feito comercial de shampoo, só passar os dedos e pronto. Nada do cabelo da Maggie do Bart Simpson.
Sem a cara inchada, marcada. 
A hora do dia em que mais sentia falta de não ser bela, era pela manhã.
Em festas, no trabalho, sempre uma boa maquilagem dá um jeito, mas na hora que acorda, meu bem, é ou não é…
Até meus 18 anos era muito magra, pernas finas, peitos grandes, que eu odiava…
Em Tabatinga e Ibitinga nunca fui paquerada, nunca ninguém me namorou. 
Meu primeiro namorado mesmo, foi um cara de SP que veio passear aqui, LIIINDOOO!!Eduardo Sabaté Manubens, boa gente, apaixonou se por minha BELEZA INTERIOR!!Namoramos quase 2 anos, e ainda namorava com ele quando mudei me para SP.
Fui aprendendo a disfarçar os defeitos, valorizar o que poderia ser melhorado, trabalhando com moda, fui criando meu estilo, lançando moda no meu circulo social, ganhei peso de forma equilibrada.
Dos 20 aos 30 anos fiquei bem na fita, embora seja baixinha: 1.60 mts
Um dia vi numa revista feminina as medidas da atriz Sonia Braga, a grande musa da época. Tudo coincidia, exceto os seios.
Então, com 25 anos, eu fiz redução de mama. Fiquei me sentindo. Pesava exatos 50 kgs
Vaidosa, foi nessa fase que conheci o Décio. Meu rosto era comum, só o sorriso largo e constante, mas o corpinho estava 10..Aderi lentes de contato tempo integral, fiquei razoável.
Dos 30 aos 40 mantive peso 60/70 kgs com médicos, remédios, spas.
Dos 40 em diante, a coisa ficou brava: já cheguei aos 90 kgs.
Não tenho por hábito olhar me no espelho. Só de manhã quando escovo os dentes. Maquilagem, faço com o espelhinho da sombra, para não ver nada.
E não venha com a conversa politicamente correta, que o que conta é a BELEZA INTERIOR. E as pessoas ligam para isso? Homens ligam para isso?
E agora, do alto dos meus 56 anos, mais que a tal BELEZA INTERIOR, eu queria mesmo era a BELEZA ANTERIOR.
Não era muita, mas já quebrava um galho!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

PRIMEIRA VEZ

Tempos atras, Tatiana Rezende  falou em seu blog sobre o publicitário Washington Olivetto, e da campanha histórica do primeiro sutiã, que “a gente nunca esquece”.
E inspirada no que li, resolvi escrever sobre várias primeiras vezes da minha vida.
Aquele instante primeiro que ficou na lembrança para sempre.
Lógico que existem outros, existem muitos, mas esses que cito agora são inesquecíveis, eternos.
Começo com a fase de transição menina /mulher e o momento marcante do primeiro sutiã,
Eu era muito magra, mas desde os tenros 10 aninhos, os seios já davam sinais.
Como foi considerado muito cedo para que eu usasse sutiã, seria como dar um atestado de que eu era uma “mocinha”, e na minha casa ninguém queria isso, eu ganhei um corpete de malha canelada, com alças finas de cetim, com recortes no busto, enfeitado com rendinhas.
Só uns dois anos depois, meu sutiã chegou.
Eu morava em Tabatinga, minha Tia Cleide, levou logo três. Eram moderníssimos.
Já tinham o novo formato com bojo arredondado e com listras delicadas. Um de cada cor.
Listras amarelas, outro verde, e azul.
Os tres sutiãs colocados sobre a cama dos meus pais. Eu sozinha, escolhendo qual iria ser o primeiro.
Listrinhas amarela. Eu sozinha, fechada no quarto, num momento de total privacidade, coloquei a blusa branca do uniforme, rodopiei , olhando para o espelho, um momento inesquecível,
e fui para escola.
Fui me sentindo diferente. Alguma coisa tinha mudado. Eu estava diferente.
Era o ano de 1968 quando ganhei o primeiro sapato de salto alto.
Salto alto era maneira de falar, era um saltinho, só para anunciar que você estava quase chegando lá. Mas nunca esqueci, já falei sobre isso em outro post, era marron, bico fino, um lacinho.
Ele fez parte da transição. A primeira menstruação, que eu nem desconfiava o que era aquilo,achei que eu estava morrendo, que teria apenas mais algumas horas de vida.
E nessa fase de transição e descobertas, nada como a emoção do primeiro beijo
Eu tinha 13 anos, já estava com meu sutiã e sapatos de saltinho, morava em Tabatinga, vim passar férias em Ibitinga e estava de olho num menino de 15 anos. Mirinho Catalano, baixinho, magro, de óculos, mas eu gostei. Tinha senso de humor, era falante e inteligente.
Ele mandou um recado pelo amigo Orlandinho Raineri, se podia sentar ao meu lado no cinema.
O coração já ficou aos pulos, concordei na hora.
Sessão de cinema das 6, Cine Rio Branco, filme “Mogli, O Menino Lobo”
“Necessário, sómente o necessário, o extraordinário é demais…”
Entrei primeiro, guardei um lugar, e só quando as luzes se pagaram, ele sentou se ao meu lado.
No meio do filme, segurou minha mão. Senti um frio na barriga, e ficamos de mãos dadas, sem falar nada, sem nos olhar, inclusive.
Um tempo depois, um selinho, que quase nem selinho era, de tão sutil, tão rápido.
Durante semanas quando lembrava aqueles momentos, sentia tudo de uma vez.
Coração aos pulos, frio na barriga, mãos geladas.
Durou só essas férias, não houve outro selinho, mas nunca esqueci, principalmente as emoções que senti.
E das emoções inesquecíveis e primeiras, faz parte o primeiro baile, que era acontecimento máximo, escolher roupa mais social, maquiagem, saber dançar, de rosto colado até…
Primeiro baile de réveillon, primeiro amor, desses platônicos, da gente escrever nome no caderno, rodeado por um coração.
Gelar só em vê-lo passar. Passar em frente á casa dele, só para ver se ele está lá.
E das lembranças de amores, guardo com carinho, a primeira vez que dormi com o Decio.
Eu tinha 25 anos, ele já era um homem de 32, divorciado, um filho, sabia como teria que ser.
Nós já namorávamos há quase um ano.
Ele morava sozinho, assistimos “Casablanca” na Globo,
Creedo, ainda não existia vídeo cassete.
Ele foi o primeiro homem com quem eu dormi, o primeiro com quem eu acordei. Aliás, primeiro e único.
Ele levou café da manhã na cama, com florzinha e tudo. Esse homem não é o máximo?
Para não esquecer mesmo.
Já contei aqui, que nunca esqueci, a primeira geladeira que meu pai comprou, branca, arredondada na sala, que eu nem acreditava que tinha, que acordava para ver.
Já contei também da primeira vez que vi o mar em Caraguatatuba. Isso ninguém esquece.
Nunca fui de viajar muito, mas não esqueço quanto tirei as primeiras férias, depois de um ano trabalhando na Transport em SP, e fui ao Rio de Janeiro, de ônibus, com minha irmã Liliana e minha amiga Antônia.
Conhecer o Rio, as praias, primeira vez que me hospedei em hotel, foi inesquecível e inenarrável.
E coroando a viagem, primeira vez na casa de shows Canecão, ver um show do Roberto Carlos.
Tem noção? 19 anos e descobrir tudo isso?
E a primeira vez , aos 18 anos, chegando á SP?
Ver semáforos, trânsitos, elevadores, escada rolante,primeiro Shopping Center Ibirapuera recém inaugurado tudo ao mesmo tempo, agora?
Eu nunca tinha visto nada nem parecido.
Andar de avião pela primeira vez também a gente nunca esquece.
Minha primeira vez de avião, foi uma ponte aérea para o Rio de Janeiro, á trabalho, mas deu tempo de ir conhecer o Bar Garota de Ipanema, e depois num outro bar comer casquinha de siri olhando para o mar.
O primeiro gravador, desses de fita cassete que vi, eu tinha uns 12 anos, morava em Tabatinga, e um amigo do Neto, um irmão, que morava em SP, Vilson (Marinheiro), gravou minhas cantorias no banheiro. Quando eles me mostraram eu não acreditava no que via, ou ouvia.
Tempos depois, um primo de minha mãe, Gerson, de SP, foi passear num Galaxie, com toca fitas no carro, e nos levou á passear de carro, ouvindo música. Nooossaa, demais!!!
Também nunca esqueci a primeira vez que vi vídeo cassete. Um amigo, Rene Ferri, um dos donos da loja de discos Woob Boop, gravou um show de Elis Regina e fui assistir.
Ela tinha acabado de falecer, e eu tentando entender. Ele me disse que deixou gravando, com a TV desligada, nem estava em casa ????????
A primeira vez que um caixa eletrônico, expeliu dinheiro, quase enlouqueci. Adorei!
E tantas coisas, tantas emoções e lembranças…
Deixa estar, que falar pelo skype com meu irmão Zé Luiz, que mora em Londres, ve-lo nitidamente e ainda por cima, de graça, foi demais tambem...
Enfim, a lista é grande...que haja tempo e oportunidade para que ela cresça cada vez mais...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Conversar com o JR, irmão do Decio, sempre é muito interessante, ao mesmo tempo é divertido.
Porque ele é uma pessoa especial, e qualquer dia desses, falo mais sobre ele, mas hoje ficam as perguntas que ele me fez, assim, casualmente, durante nossas conversas.
Perguntas simples, pertinentes, que me fizeram titubear nas respostas.
Não conseguí responder de imediato.
Sabe quando alguém faz uma pergunta e te acerta?
Falando sobre como ele gostava de viajar, descobrir coisas novas, mundos novos, concluiu, dizendo que descobrir o NOVO era o que mais gostava da vida.

1. “E você, Picida, o que você mais gosta da vida?”
Tempo para pensar…
Resposta: o que mais gosto, são PESSOAS.
Os seres humanos, suas vidas, suas histórias e vou me explicando…
Ele observa: “Então, você deve adorar ler biografias”.
Verdade. Adoro. È o que mais me fascina na vida. Saber das histórias passa-las para adiante, comentá-las, rememorá-las. .
Vendo meu entusiasmo em falar sobre os últimos CDs que eu havia comprado (Marvin Gaye, Nat King Cole, Jhonny Mathis, Jhonny Rivers, e tantos outros contemporâneos), fingiu um certo interesse, e perguntou:
2. “Picida, qual foi a última música que você decorou?
Qual é a música mais recente que você sabe cantar inteira, não vale regravações?”.
Engasguei. Qual mesmo???
Noossa! Adriana Calcanhoto cantando “Devolva-me” da Jovem Guarda não vale e até essa regravação está antiga.
Tive que forçar a memória e o máximo que consegui consegui, foi cantarolar Ivete Sangalo, “Se eu não te amasse tanto assim” que não é assim, digamos, um lançamento.
Ah! E tem Marisa Monte: "Ainda bem, que agora encontrei vc.."
Preciso rever algumas coisas. Essa dificuldade em colocar o novo na minha vida é meio esquisito, essa história de exaltar o passado pode estar meio fora de lugar.
Acho que vou decorar " Eu quero Tchu,eu quero tcha"
Quando, empolgada, eu relembrei dos tempos que morei em SP, dos tempos que morei em Bragança Paulista, ele sacou da pergunta :
3.“E de agora, do que você vai ter saudades?”
Hããã… Como assim???
Porque é muito importante essa resposta, diz tudo sobre o que você acha da vida que vive agora.
Primeiro, pensei que não teria nada para ter saudades, e vi que se isso fôr uma verdade, eu estaria desperdiçando a vida .
Preciso rever posições. Preciso reavaliar situações.
Não é beeem assim…
Tenho minha família, meu lar, um amor, meus cães, tanta coisa boa.
Preciso parar de pensar que só SP pode ser bom, que por ter voltado para cá, fracassei.
Preciso encontrar o caminho para lidar com isso.
Viver minha vida,
Criar minha história,
Valorizando o passado, sem esquecer o presente, que ele é o que vou ter para contar amanhã.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

MARIA. A APARECIDA

Observando as pessoas tímidas, as extrovertidas, analisando, não tenho a menor dificuldade em dizer em qual grupo me enquadro.
No pessoal extrovertido.
Juro que ás vezes tenho que me esforçar para entender os tímidos, pessoas que chegam a sofrer quando têm que falar em público, quando se sentem observados.
Falar em publico para mim sempre foi muito natural.
Desde minha primeira infância, ainda no primeiro grau, morando em Tabatinga, eu era aquela que não se encabulava cada vez que o professor convocava para ler, cantar, recitar, na frente dos outros alunos, pelo contrário, até gostava.
Nas datas comemorativas, era comum os professores escolherem dois ou três alunos de cada classe para recitar, e então, para cada escolhido era dado uma poesia para ser declamada.
Não sei qual era o critério da escolha: se eram os melhores alunos, os mais bonitinhos, os mais comportados, ou simplesmente, uma vez de cada vez, só sei que eu queria participar sempre.
Quando percebi que isso nem sempre seria possível, perguntei á professora, se eu poderia fazer minhas poesias. Sem problemas. Pronto.
Então, 7 de setembro lá ia eu; “Agora vou recitar para vocês, a poesia Independência do Brasil, de minha autoria”.
E assim, seguia Dia do Trabalho, Dia das Mães, dos Pais, e o que mais houvesse.
Começaram á gostar, e lá estava eu, em meus momentos de “fama”.
No segundo grau, eu era sempre escolhida pelo grupo para apresentar os trabalhos, às vezes ficava só com essa tarefa, enquanto uns se apavoravam com a idéia, eu fazia isso com a maior tranqüilidade. Normal.
Organizava circos, vendia ingressos, e claro, participava.
Não gostava de participar dos desfiles, ou paradas escolares com uniforme escolar.
Sempre participava, em algum carro alegórico, e conseguir as roupas para isso era outra história.
Nunca havia dinheiro disponível para essas coisas, eu criava, improvisava, dava um jeito, dava certo.
Números musicais, então…
Danças em gincanas, dublê de Ney Matogrosso, Carmem Miranda, e o que mais aparecesse.
Festa junina, teatros, lá estava eu…
Quando, aos 18anos fui para SP. Ibitinga se destacava como Capital Nacional do Bordado,
A prefeitura da cidade fez divulgação nos principais programas de auditório da época, e então precisaram de alguém que desse entrevistas, como eu estava em SP, e era cara de pau suficiente, lá fui eu em “Almoço com as Estrelas”, “Clube dos artistas”, falar da minha cidade.
Rede nacional, horário nobre, eu, caipira do interior, e ali tranquilíssima…
E assim tem sido por toda minha história.
No trabalho, na área de moda, lá ia eu apresentar desfiles de moda, nos programas femininos.
Todas as Tvs. SBT, Globo, Band. Record, Gazeta, até Tv Manchete. Lá estava eu.
Serena.
Como gerente de vendas, sempre na mesma área, falar com gerentes de grandes redes , lojas sofisticadas de shoppings, ou lojas simples de bairro, lá estava eu.
Apresentando-me, apresentando os produtos, na maioria das vezes, ficando amiga dos clientes.
Quando escrevi para um jornalzinho daqui de Ibitinga, já morando em SP. Achava natural entrevistar celebridades da época, mesmo sendo uma ilustre desconhecida, de jornal ou revista idem.
E assim, entrevistei jogadores de futebol famosos da época, atores, cantores, e quem mais interessasse.
As celebridades também eram mais acessíveis, não era apenas minha cara de pau, eles eram menos “estrelas”.
Ter  esse jeito extrovertido, acho que mais ajudou que atrapalhou.
Conheci pessoas e lugares interessantes, ajudou-me no trabalho, na carreira.
Mas sempre procurei não ser inconveniente, saber a hora de me colocar em cada lugar.
Não sei se sempre acertei, mas sempre estive atenta para isso.
Nem todo mundo sabe, mas Picida é apelido, meu nome é Maria APARECIDA.
Muito APARECIDA.

* Siiiimm...esse Ney MatoGrosso sou eu!!