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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

HISTÓRIAS DE CARNAVAL PARTE I

Lógico, que quem tem cinqüenta anos tem muitos carnavais para contar.
Quando criança, as primeiras lembranças carnavalescas são das matinês do clube de Tabatinga, e o carnaval apesar de ser apenas em clube, era uma festa democrática,a entrada na matine, era liberada para todos.
A grande preparação era providenciar tecido e costureira para fazer um shortinho combinando com a blusinha, ás vezes um colar de havaiana, umas garrafinhas que espirravam água, ou liquido vermelho, que a molecada chamava de “sangue do diabo”, e era o terror das mães: manchavam roupas.
Opa! Ainda havia lança perfume.
Mas nunca pude comprar um, era caro para meus padrões, mas adorava o cheirinho bom no ar.
A banda local, tocava aquelas marchinhas “Hei, você aí, me dá um dinheiro aí”.
“Ô jardineira, porque estás tão triste, mas o que foi que aconteceu”?
“Se a canoa não virar, olé, olé, olá, eu chego lá”.
“Olha a cabeleira do Zezé, será que ele? Será que ele e´?”
Confete e serpentina eram obrigatórios. E mascaras; De palhaço, monstros, colombinas.
O momento de maior impacto era a chegada do Rei Momo.
As crianças ficavam ao redor, ele fazia um pequeno discurso e já ia para outra cidade.
E haviam as famílias mais abastadas que faziam fantasias para as crianças.
Ainda não existiam prontas para vender. Índias, colombinas, bailarinas, baianas.
Brilhos e paetês.
Eu adorava ver e curtir isso tudo.
Quando digo que era fácil ser pobre em Tabatinga, é porque não tinha como haver discriminação social: o clube era um só, a escola era uma só para todos, a loja de tecidos, o que diferenciava era a criatividade e alegria de cada um, e isso dinheiro não compra…
De cada fase, tenho uma foto que marca bem a época.
Das matines de Tabatinga, tenho a foto em preto e branco eu de mãozinhas dadas com minha irmã Liliana, com os já falados conjuntos de shorts, confetes pelos cabelos.
Numa cidadezinha onde nada de novo acontece, a oportunidade de uma festa desse tamanho, era um momento único, era muito esperado, e eu e minha irmã não nos fazíamos de rogadas, cantávamos e dançávamos muito.
Pura diversão. Diversão pura.

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