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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

MICOS & MICOS

Tempos atras, li sobre os “micos” que a gente paga no decorrer da vida, no sempre inspirado blog LUCY IN THE SKY, agora CONFESSO QUE VIVI
Sei que já paguei verdadeiros King Kongs, mas a vantagem de ter mais de 50 anos de idade, é que a memória já não registra com muita eficiência, ou então a gente a partir dessa idade já nem se importa mais…
Mas alguns merecem registros:
* Em 1975, quando me mudei para SP, ainda exista garoa, neblinas.
Eu, recem chegada, ao abrir a janela do décimo andar do apto em que morava, imaginei que era quase neve, dia muito frio.
Calcinha, sutiã, meia calça, uma bonita bota marrom, comprada a prazo na Lojas Peter, e um casaco de veludo vinho, feito por minha tia Cleide.
As produtoras de moda de agora, chamariam de Trench Coat.
Sem conhecer o ditado paulistano ”Dia nublado, calor dobrado”.
As 11 horas, sol a pino, eu já não agüentava o calor, e não tinha como tirar o casaco: só calcinha e sutiã por baixo.
Em tempos de raros aparelhos de ar condicionado, passei o dia todo trabalhando embrulhada em veludo . Ninguem entendeu nada…
* Depois de um ano de empresa, minha primeira férias, fui com minha irmã Liliana, minha amiga Antonia Landi para Rio de Janeiro.
Eu já conhecia  praia, tinha passado uma temporada em Caraguatatuba com a família Bocca, mas era uma casa isolada, só caminhar um pouco na areia direto para o mar.
Mas agora, era minha primeira vez em hotel.
A Antonia, paulistana da gema, até tinha apto na praia, já sabia como podia e devia se portar.
No café da manhã, desceu de saída de praia, chinelo.
Eu e minha irmã impecavelmente vestidas: calça jeans, camiseta e sapato.
A Antonia tentou com toda sutileza, como é de seu feitio, nos convencer a irmos mais a vontade.
Sem acordo.
No restaurante, no saguão do hotel, assim, quase sem roupa??? Nem pensar…
Só tiramos a roupa ( o biquíni por baixo), depois de estendermos a toalha na areia.
Mas valeu: á noite show do Roberto Carlos no Caneção
Me parece que foi a primeira temporada dele lá.
* No inicio dos anos 80, quis mudar o visual de forma radical: ficar loira.
Clareei os cabelos, assim fiquei por cerca de uma  hora, estranhei, pedi para voltar ao castanho de sempre.
No dia seguinte, resolvi alisar.
Em tempos pré escovas progressivas, passei uma pasta sabe se qual, sabe se lá o quê , e minutos depois, comecei a sentir o cabelo derreter. Liguei para Marta minha cabeleireira, com aparente calma e perguntei com voz tranqüila: “Marta, agora que escureci o cabelo, posso alisar?”
Ela: “Nem pensar, não faça isso de jeito nenhum”.
Corri para o chuveiro, com roupa e tudo, ele ficou esquisito, mas deixei secar naturalmente e fui dormir.
Na manhã seguinte, meu cabelo estava cor de abobora, armado tipo Dong King, não havia tiara que segurasse, eu não tinha um lenço para amarrar e não dava para sair daquele jeito.
Pus um chapéu preto, desses de festa, casamento, e assim peguei taxi para ir ao cabeleireiro, que só pôde  ser cortado raspadinho.
Gastei para ficar loura, gastei meia hora depois para voltar a ser morena, gastei no conserto, e paguei o mico de pegar taxi com chapéu de festa as 8 hs da manhã .
* Morando em Ibitinga, um amigo de meu irmão, convidou Decio, meu marido para um carneiro assado no buraco que seria feito em uma chácara.
O Decio achou que era um convite, aceitou na hora, nem desconfiamos que teria que ser pago.
O Neto, meu irmão, percebeu nosso engano, e muito sutilmente, comprou 2 ingressos, que eram bem caros, por sinal, me parece que era uma festa beneficente.
Quando ele nos entregou os convites, vimos os preços, ficamos meio sem graça, nós jamais pagaríamos aquele valor para um passeio assim.
Na noite do tal “carneiro do buraco” caiu uma tempestade na cidade, eu me lembro de ter ligado para meu irmão e dizer que achava que nem ia ter , porque imaginei:como assar um carneiro no buraco, com   chuva?
Meu irmão me confirmou que ele já estava lá.
Acabou a energia elétrica no meu bairro.
Nós não pensamos em desistir por causa do preço que meu irmão pagou, iria parecer desfeita.
Fomos a casa das minhas Tias Cleide e Lucia, tomamos banho, lavei o cabelo, pus uma saia jeans, sapato baixo, uma blusinha simples, cabelo molhado, (coisa que nunca faço).O Decio, sem grandes problemas: calça jeans e camiseta OK.
Imaginava uma cena simples e bucólica; alguns poucos amigos, ao redor de uma fogueira, na chácara, curtindo um churrasco, conversas intimas, coisas de filme americano.
Quando chegamos a chácara nos impressionamos com a quantidade de carros estacionados, mais ainda com o luxo do guarda roupa dos convidados.
Paetês, brilho, salto alto, musica ao vivo, jantar dançante.
Foi um susto.
Como chegamos atrasados, todos pararam e ficaram olhando.
Ninguém veio falar conosco, nos sentamos numa mesa isolada, ficamos lá quietinhos.
Não vi buraco, não vi carneiro.
Vi garçons, maitre, essas coisas.
Uma das garçonetes, Jussara Mancini, era uma velha conhecida, e é uma pessoa muito divertida, bem humorada, era com ela que conversávamos, quando ela tinha uma folga.
Eu perguntei para ela qual era a carne de carneiro, porque não iria comer, que não comeria carneiro jamais, porque me lembra um poodle.
Ela me respondeu que comeria um poodle se alguém lhe dissesse que era carneiro…
Ficamos por lá cerca de uma hora, saímos de fininho…
* Estava no Shopping de Ribeirão preto, fui ao banheiro, saí as pressas, com a saia presa na calcinha. Um rapaz, simpático, veio me avisar.
*  Dia desses, estava no supermercado, encontrei o cunhado da Denise, uma amiga e colega de trabalho, com sua filha de 4 anos no colo. Uma fofa.
Nós só nos tínhamos visto uma vez, estranhei um pouco, quando ele veio, me cumprimentar, perguntou do trabalho, falamos da sua filha, e só na hora do tchau, ele me avisou que minha saia estava presa na calcinha.
DE NOOOVOOO!!!.
Mas eu já tinha dado uma boa volta pelo supermercado…fóra o tempo que fiquei falando com ele com calcinha exposta...

Mas o bom é poder lembrar e rir muito!

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